AVALIAÇÃO RÁPIDA DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL EM IGARAPÉS DE MANAUS-AM
Palavras-chave:
Igarapés, Degradação Ambiental, Protocolo de Avaliação Rápida, UrbanizaçãoResumo
A expansão urbana desordenada nas cidades amazônicas tem provocado sérios impactos socioambientais, especialmente sobre os corpos hídricos urbanos. Este estudo teve como objetivo aplicar o Protocolo de Avaliação Rápida (PAR) em quatro trechos dos igarapés do Mindú e do Quarenta, localizados em Manaus-AM, com a finalidade de diagnosticar o nível de degradação ambiental desses mananciais e analisar historicamente suas transformações. A metodologia incluiu visitas de campo, preenchimento de fichas técnicas baseadas em 12 parâmetros físicos (como ocupação das margens, presença de vegetação, impactos antrópicos e oleosidade da água) e análise geoespacial de imagens históricas via Google Earth Pro. Os resultados demonstraram que três trechos foram classificados como impactados e apenas um como alterado, evidenciando a fragilidade ambiental dos igarapés estudados. As principais causas observadas foram o despejo de efluentes domésticos e industriais, a retirada da vegetação ciliar, a canalização dos cursos d’água e a ocupação irregular das margens por comunidades vulneráveis. A análise temporal revelou a perda progressiva da cobertura vegetal e o avanço da urbanização sem planejamento. O estudo destaca a eficácia do PAR como ferramenta de diagnóstico ambiental de baixo custo, contribuindo para a gestão dos recursos hídricos urbanos. Conclui-se que é urgente a implementação de políticas públicas integradas voltadas ao saneamento, ordenamento territorial e recuperação ambiental dos igarapés urbanos de Manaus.
Referências
ALBUQUERQUE, N. R.; MOLINARI, D. C. Caracterização da cobertura vegetal no alto curso da bacia do igarapé do Mindu-Manaus (AM). Revista Brasileira de Geografia Física, v. 13, n. 1, p. 406-422, 2020.
ARAUJO, R. M. G. et al. Diagnóstico da integridade ambiental de trechos de um igarapé por meio de protocolo de avaliação rápida – Rio Branco, AC. Revista Brasileira de Ciências da Amazônia, v. 9, n. 4, p. 29-38, 2020.
BARCELLA, B. L. S.; MELAZZO, E. S. Expansão urbana e dinâmica imobiliária: comparando as estratégias fundiárias dos agentes imobiliários em cidades médias. Sociedade & Natureza, v. 32, p. 100-115, 2022.
BARBOUR, M. T. Protocolos de bioavaliação rápida para uso em riachos e rios passáveis: perifíton, macroinvertebrados bentônicos e peixes. Washington: Agência de Proteção Ambiental dos EUA, Escritório de Água, 1999.
BIZZO, M. R. O.; MENEZES, J.; ANDRADE, S. F. Protocolos de avaliação rápida de rios (PAR). Caderno de Estudos Geoambientais – CADEGEO, 2014.
CALLISTO, M. et al. Aplicação de um protocolo de avaliação rápida da diversidade de hábitats em atividades de ensino e pesquisa (MG-RJ). Acta Limnologica Brasiliensia, v. 34, p. 91–97, 2002.
FREITAS, E. P. et al. Protocolo de avaliação ambiental rápida para cursos de igarapés de Manaus/AM. Manaus: [s.n.], 2015.
LOBO, E. A.; VOOS, J. G.; ABREU JÚNIOR, E. F. Utilização de um protocolo de avaliação rápida de impacto ambiental em sistemas lóticos do Sul do Brasil. Caderno de Pesquisa, Série Biologia, v. 23, n. 1, p. 18–33, 2011.
OLIVEIRA, J. A. (Org.). Cidades brasileiras: territorialidades, sustentabilidade e demandas sociais. Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas, 2009.
PINTO, J. G. Análise introdutória do processo de ocupação urbana em Manaus e suas consequências socioambientais. 2008. 91 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2008.
QUEIROZ, M. S.; ALVES, N. S.; BATISTA, S. P. M. Análise do risco de inundação no igarapé do Mindu em Manaus–Amazonas. Acta Geográfica, v. 14, n. 36, p. 216–231, 2020.
RADTKE, L. Protocolo de avaliação rápida: uma ferramenta de avaliação participativa de cursos d’água urbanos. 2015. 24 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2015.
RODRIGUES, A. S. L.; MALAFAIA, G.; CASTRO, P. T. A. Avaliação ambiental de trechos de rios na região de Ouro Preto-MG através de um protocolo de avaliação rápida. Revista de Estudos Ambientais, v. 10, n. 1, p. 74-83, 2008.
RODRIGUES, A. S.; CASTRO, P.; MALAFAIA, G. Utilização dos protocolos de avaliação rápida de rios como instrumentos complementares na gestão de bacias hidrográficas envolvendo aspectos da geomorfologia fluvial: uma breve discussão. Enciclopédia Biosfera, v. 6, n. 11, 2010.
SILVA, G. M.; ALVES, A. C.; SANTOS, M. Q. Dinâmica socioespacial e problemas urbanos na microbacia do igarapé do Quarenta, Manaus-Amazonas. Revista Tocantinense de Geografia, v. 9, n. 19, p. 101–114, 2020.
SILVA, S. L.; LIMA, M. C. Impactos socioespaciais da intervenção urbana aos ribeirinhos da cidade de Manaus–AM. In: Anais do IV ENANPPAS – Encontro da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ambiente e Sociedade. Brasília, v. 4, n. 5, 2008.
SOUZA FILHO, E. A.; ALVES, S. B. S. M. Análise das condições de esgotamento sanitário na cidade de Manaus-Amazonas. Geofronteira, v. 8, 2022.
VASCONCELLOS, A. A. Infraestrutura verde aplicada ao planejamento da ocupação urbana. Curitiba: Appris Editora, 2015.